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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mudanças, perdas de energia


Mudanças, perda de energia (Recortes do livro de C.G. Jung – Vol.XVI)







            O inconsciente não é um monstro demoníaco. Apenas, uma entidade da natureza, indiferente do ponto de vista moral e intelectual  que só se torna realmente perigoso , quando a nossa atitude consciente frente a ela for desesparadamente inadequada.

            Por isso devemos tratar o sujeito do outro que está em nós pela transferência que se dá nas relações humanas, com respeito, educação e não obter o gozo, não se sabe o quanto organicamente o outro pode suportar; de tal forma que o gozo do outro é inconsciente para o sujeito, a atividade vital pode ficar paralizada por omissões de todo o tipo, por deveres negligenciados, por tarefas eternamente proteladas por obstinações deliberadas, de tal forma que uma determinada quantidade de energia, que não tem mais utilização no consciente, reflui para o inconsciente onde vai ativar certos conteúdos(compensatórios) e isso com tal intensidade, que começa a exercer uma ação coercitiva sobre o consciente. Esta é uma das maneiras possíveis de se produzir uma perda de energia. A outra consiste numa perda não ocasionada por um mau funcionamento do consciente, mas por uma ativação espontânea os conteúdos inconscientes que afeta o consciente secundariamente.

            Durante um período de incubação de uma mudança de personalidade ou caráter é freqüente verificar-se uma perda de energia do consciente: a nova evolução retirou do consciente a energia de que necessitava.

            O analista sabe perfeitamente que o doente precisa de uma ilha  e que, sem ela, estaria perdido. É o refúgio de sua consciência, o último baluarte contra os tentáculos do inconsciente que ameaçam agarra-lo.

domingo, 4 de setembro de 2011

Leis, Estado e Sujeito

Fui ao Congresso Brasileiro de Psicanãlise em maio ultimo em Fortaleza e um dos trabalhos apresentado que me chamou a atenção foi de Paulo Fernando Oliveira dos Santos(psicólogo e psicanalista da Escola Brasileira de Psicanálise do Movimento Freudiano em 1993 do Rio de Janeiro – RJ), do qual fiz alguns recortes que achei muito interessante que fala de Leis, Estado, Adolescentes, ou seja, a formação da estrutura do ser humano onde é na adolescência que há a rebeldia de estruturas impostas na Sociedade, muitas vezes maléficas e é nesta faixa etária que ocorre as mudanças em uma sociedade, uma cultura, uma nova sociedade.


Eis então: Adolescentes em conflito com a lei.

O cerne da questão da violência em nosso País: a ausência do pai, por exemplo.

Estar em conflito com a Lei marca a fundação do próprio laço social que sustenta a cultura, ou seja, está na fundação do humano.

A Lei fundante do simbólico seria a lei organizadora da estrutura social, e as leis da vida cotidiana seriam uma expressão significante desta lei maior. Partindo deste pressuposto podemos dizer que o id, passando pelo ego que é a estrutura protetora do sujeito sendo dosado pelo superego evitando a neurose, o ego se colocando de forma simbólica organiza uma estrutura social. Nesta organização de uma estrutura social pode-se formar assim um inconsciente coletivo.

Se uma pessoa(malandro) quizer controlar, manipular este inconsciente coletivo, de forma que este grupo de pessoas trabalhem a favor do “malandro”, estas pessoas poderão ir contra elas mesmas e o sujeito gerador desta pulsão(id) sofrerá uma pressão contrária daquilo que criou.

Pode-se fazer uma analogia quando o estado usurpa para si em forma de lei, impondo que os cidadãos obedeçam mesmo sendo na violência sobre o homem na cultura. O Estado enquanto organização que faz valer a lei, que protege, , acaba muitas vezes invadindo dimensões da escolha de cada sujeito mais do que proteger, acaba desresponsabilizando o sujeito de arcar com os efeitos de suas escolhas.

Em Freud e seu mito do assassinato do pai da horda, entendemos que a lei surge num acordo entre os machos mais fracos de modo a garantir que nenhum deles virá a ocupar que era do macho mais forte, detentor de todas as fêmeas neste sentido, nenhum dos mais fracos lutará para ocupar o lugar de poder que submete os outros à sua vontade. A idéia de que a lei se opõe à violência se faz presente hoje nos pensamentos mais variados. Freud afirma que a Lei é a expressão da força de uma comunidade e, enquanto força é “ainda violência, pronta a se voltar contra qualquer indivíduo que se oponha; funciona pelos mesmos métodos e persegue os mesmos objetivos. A Lei no social não pode funcionar senão se apoiando na violência; trata-se da violência institucionalizada engendrada pelo estado – isso sem considerar a violência produzida pelos agentes da lei que extrapolam suas funções.

Freud mostra como o Estado exige uma renúncia pulsional de cada um mas permite-se ao mesmo tempo todos os atos de violência que se produzidos pelo indivíduo, significaria sua condenação(FREUD, 1915/1974, pp. 315-316).

Americano do Brasil, referindo-se a Zizek, nos lembra de um aforismo de Brecth: “o que é um simples roubo a um banco diante do ato de fundação de um banco? O banco é fundado pelas leis do Estado, leis que permitem que alguém usufrua do dinheiro que não é seu – O Estado garante a alguns a possibilidade de usufruir do que não é seu, e ao mesmo tempo proíbe que outros façam a mesma coisa. Se por um lado, o aumento das garantias parece tender a um bem-estar social, por outro lado, a inflação de leis vem, segundo alguns, invadindo as liberdades individuais. Harsany fala de um estado invasivo, de uma tirania do bem-estar que rebaixa a liberdade à mera aceitação, de um roubo do cidadão de seu livre arbítrio(Harsanyi, 2011 pp 3-6).

O Estado colocando os cidadãos na posição de obediência às leis, e a cada vez mais leis, tira a possibilidade de que cada um possa refletir sobre a vida cotidiana, dificultando assim a construção de uma visão crítica do mundo, já que o que é preciso é obedecer ao invés de poder escolher e se responsabilizar por suas escolhas.

O Estado babá como um ecesso de Estado no sentido de desresponsabilizar o sujeito por suas escolhas, há aqueles que visam com isso não uma afirmação do sujeito e de suas escolhas, não a responsabilidade pelo ato desejante, mas sim uma ampliação da possibilidade do lucro.



Lei x Escolha e Lei x Liberdade



Liberdade é, segundo Americano do Brasil lendo Zizek, a afirmação do “não”, um “não” no sentido de se opor a massa , de poder se opor às expectativas atribuídas ao outro, de poder acionar o movimento de separação em oposição ao de alienação entre o sujeito e o outro. Levantar a bandeira do “abaixo a tutela do Estado” pode ir na direção de potencializar a economia de mercado como maestrina da organização social. As leis de mercado não se interessam pelo “não” do consumidor, tentam transformar em sim mesmo para aqueles que não podem consumir, criam-se mercados, pequenas transgressões, mercados negros....

A liberdade coloco eu aqui, quando um inconsciente coletivo necessita ou melhor acha que necessita de um líder criando-se cargos(chefes, coordenadores....) podemos aqui nomear vários tipos de cargos, verdadeiros cabides de emprego, isto é muito comum no Estado, onde o suposto “líder” quer criar e cria regras, disciplinas para este inconsciente coletivo do qual obedece e deixando inértil sem vida o sujeito criador do inconsciente coletivo que muitas vezes trabalha, e trabalha as suas emoções, o sujeito é saudável, este pode adoecer em função das regras e disciplinas impostas para que o líder se desempenhe e sobressaia, entrando um pouco na saúde pública, onde fica o Estado adoecendo a população por esta estar obedecendo a regras de forma inconsciente para que se mantenha o suposto líder isto se explica em períodos eleitorais, até onde o ser humano acredita que necessita de um líder e mantê-lo? Quantos realmente são necessários para se manter uma organização saudável? Será que poderíamos ter menos hospitais com uma organização de Estado mais saudável?





















quarta-feira, 16 de março de 2011

Alguma citações de Dr. Eduardo Sá de seu livro "A vida não se aprende nos livros"

Algumas Citações de Eduardo Sá

É psicólogo clínico, psicanalista e professor de psicologia clínica na Universidade de Coimbra e no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa. Tem uma longa experiência de acompanhamento de fetos e de bebés, de crianças, de adolescentes e das suas famílias. Director da Clínica Bebés & Crescidos


As emoções tornam tão irrepetível tudo o que vivemos que, depois de vividos, todos os acontecimentos... «já eram». Isto é, por mais que os tentemos descrever, deixam de ser, exactamente, como os vivemos e, por isso, tornam-se... mentira


O silêncio só é silêncio quando não somos capazes de escutar com o coração


A melhor forma de não perder nada não é guardar: mas compartilhar


As pessoas morrem quando nos decepcionam e, para nossa perplexidade, com elas morre sempre um bocadinho, mais ou menos indecifrável, dentro de nós


Os mais velhos só aprendem quando aceitam que, para educar os outros, é necessário, em primeiro lugar, querer aprender com eles. E isso só é possível quando, nas intenções da educação, a aquisição de conhecimentos for substituída pelo carinho à sabedoria.


Amar é conhecer mais do outro do que ele sabe de si próprio, e descobrir que ele conhece mais de nós do que nós mesmos.


Crescemos imaginando que é possível aprender sem errar. No amor, por maioria de exigência. O que transforma, muitas vezes, o coração numa folha de cálculo. Ora, do mesmo modo que dar à luz não é tirar todas as dúvidas (mas pôr problemas), errar é aprender. E descobrir que, olhando por quem se olha, o importante nunca é saber como se faz, mas com quem se conta para chegar ao que se quer.


É certo que quase nada vale por aquilo que parece. E, no entanto, talvez o que pareça valha sobre o quase-nada que lhe falta para ser tudo aquilo que não é.


Transformar em qualquer coisa de sobrenatural tudo o que sentimos, só porque a racionalidade assim obriga, faz do silêncio uma enorme enciclopédia de todas as verdades por dizer.

Há muita diferença grande entre temer a morte e amar a vida. Temer a morte deixa-nos em dívida com a vida. Torna-nos minúsculos. Compenenetrados dos nossos papéis. Falsos e complicados. (...) Temer a morte deixa-nos levar pelas marés de todos os dias. Amar a vida desafia para as aproveitarmos nas rotas onde nos queremos ao leme


Às vezes, os políticos parecem repartir-se entre os que nunca se enganam e os que só reconhecem os erros dos outros. Os que se salvam imaginam a coerência como um lugar sem contradições. Ora, passamos bem sem os que nos indicam, uma a uma, as faltas dos outros. Perdoamos os erros, porque todos sabemos que são eles que nos ajudam a crescer.


Estranhos não são as pessoas que não se conhecem: estranhos são aqueles que, estando ao pé de nós, parecem nunca perceber o que se passa connosco.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O dizer do Psicanalista

O dizer do psicanalista, sustenta Nasio, não carrega consigo o propósito de decifrar o inconsciente, mas de produzi-lo sob a forma de acontecimento, relançando a cadeia dos significantes e favorecendo que outros acontecimentos se realizem.
A melhor interpretação se diz sempre em duas ou três palavras bem curtas, à maneira de uma réplica que toca, corta e pontua o enunciado do analisando.
Winnicott foi um reformador liberal da assim chamada técnica psicanalítica clássica e desconstruirá o estilo interpretativo conduzindo-o ao extremo da simplicidade e da discrição, dando-lhe aos poucos a forma de um dito espirituoso, de uma piada, de uma interjeição ou, como preferia dizer, de um rabisco(squiggle).
O espaço transicional, o entre-dois onde coabitam ilusão e verdade, adquirirá uma importância decisiva na eficácia clínica no tratamento psicanalítico. Em 1971 Winnicott afirma que a psicanálise acontece na sobreposição das zonas de brinquedo do paciente e do analista. Analista e paciente brincam no interior do campo transicional quando conseguem conjuntamente cria-lo e usá-lo.
A ilusão do paciente deverá ser necessáriamente aceito, creditada e compartilhada ficcionalmente pelo analista; esta é uma condição sine qua non que o analisando lhe impõe para deixa-lo participar da sua intimidade subjetiva e nestas condições dar-se-a o diálogo transicional.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Horda Selvagem(Recorte do Livro "A família em desordem" de Elisabeth Roudinesco

Em uma época primitiva, conta Freud adotando o estilo de Darwin, os homens viveram no seio de pequenas hordas, todas submissas ao poder despótico de um macho que se apropriava das fêmeas. Certo dia, os filhos da tribo, numa rebelião contra o pai, puseram fim ao reinado da horda selvagem. Num ato de violência coletiva, depois do assassinato, sentiram-se arrependidos, renegaram seu crime e inventaram uma nova ordem social ao instaurarem simultaneamente a exogamia, o interdito do incesto e o totemismo. Foi este o alicerce lendário comum a todas as religiões, e sobretudo do moneteísmo.
Nessa perspectiva, o complexo de Édipo, segundo Freud, não é senão a expressão dos dois desejos recalcados - desejo de incesto, desejo de matar o pai contidos nos dois tabus próprios do totemismo: interdito do incesto, interdito de matar o pai-totem. O complexo é portanto universal, uma vez que é a tradução psíquica dos dois grandes interditos fundadores da sociedade humana.
Mais além do complexo, Freud propõe, como totem e tabu, uma teoria do poder centrada em três imperativos: necessidade de um ato fundador(o crime), necessidade da lei(a punição), necessidade da renúncia ao despotismo da tirania patriárquica encarnada pelo pai da horda selvagem.
O homem freudiano para ser civilizado e satisfazer a mulher, deve controlar a sexualidade selvagem que herdou do pai da horda, e rejeitar a poligamia, o incesto, o estupro. Deve aceitar o declínio de seu antigo poder.